sexta-feira, 25 de junho de 2010

Confidências íntimas


“A ESTRELA QUE UM DIA CINTILOU...”

(primeira parte)

- Confidências íntimas –

Eis meu afável amigo que outra vez volto a ti à minha admiração e a minha dedicação; isso porque em ti encontro refrigero e paz no meu espírito! Há também em ti uma bela ponte onde tu deixas que eu a cruze e vá buscar nos teus belos jardins alentos e suavidade aos meus olhos que não cansam de fitar, mesmo que agora no seu imaginário, aquela que no céu do meu universo nasceu, e, aprisionou as minhas faculdades, apossou-se e enraizou o seu brilho, e a subvida do seu belo olhar convidativo, cheio de encanto e doçura, paira sobre mim...!

A verdade, extremoso amigo Solrac, eu tenho aqui buscado, assim que anoitece, no céu da minha terra e longínquo das minhas mãos, o calor delirante do primeiro beijo que ainda pulsa nos lábios, causando assim ao coração um imenso bater constante! Inefável não é mais o sabor do primeiro beijo...! E sim, o doce manjar que me é servido quando saudosamente nele penso! Treme-me o caminhar e o afá da sua delícia em cada lágrima que derramo quando meus pensamentos, sensivelmente rebuscam no vento que sopra de um passado que nunca se ausentou do meu presente e certamente do meu futuro que será sempre passado.

Permaneci depois daquele dia, quando a te enviei as minhas súplicas por muito tempo a olhar e buscar com os meus olhos a suavidade eterna que emana da riqueza que se oculta pálida no meu interior! Olhei para o meu firmamento a procura daquela expressão que me encantara assim quando me olhou e deixou escapar os primeiros risos da sua boca perfeita e magistral. Há como Dave saber; em mim, - pois a ti dei a conhecer a sensibilidade do meu espírito e a maestria do meu coração – uma grande espera que a bela estrela que um dia cintilou possa não voltar mais para mim, mas que brilhe com toda a sua amplitude aos olhares humanos que certamente muito embelecerá as suas trevas.

Que inefável gozo ao vê-la!

Diante dos meus olhos a doce estrela!

Tornei-me leve e pude sim flutuar!

Quando me deparei com a sua suavidade;

Meu Deus! Que flor tenra na doce idade!

Onde o mel e odor querem se jogar,

Na visão do mancebo que apaixonado,

Não sabe por qual parte começa admirá-la!

Doce encanto! Um fluxo de cores se forma,

Na visão do artista e do poeta que abismado,

Entrega-se a volúpia de um momento calado,

O que se passa no seu jardim quando a estrela,

Começa os seus pensamentos gotejarem...

Um não sei o quê que se levanta e se derrete,

A uma ilusão celeste nos seios nos remete...

Que Constancia é este doce que os lábios!

Sempre quer deles sorver o seu bálsamo,

E nos fazer sonhar flutuar e lado a lado,

Entregamo-nos ao seu sabor tão sonhado!

Sigo a procura desvelada da sagacidade que fez, naquele dia de outubro, com que os meus sorrisos se elevassem ; criado assim dentro de mim, um facho de luz serena e calma ao meu paladar e ao meu coração! Eis que fui tomado por uma sensação única, onde penetrou pelas às minhas narinas o odor de um incenso mágico e exemplar! Olhei aquela bela paisagem que incendiava a minha imaginação e as minhas loucas criações fantasmagóricas sentimentais. Pulsou nas minhas veias o fogo defronte do meu olhar que, levado pelo os impulsos do meu coração, eis que o seu calor transbordou na minha face o rubor tímido, mas inocente da minha pulsante e cortante admiração que seria suprema e eterna. Caiu-se sobre o abismo do meu calar um silêncio, - isso porque eu lá estava a olhá-la e tecer dentro de mim uma forma onde pudesse abrir a minha boca e sussurrar: “ Como é linda” Mas, dentro de mim, permaneci por vários minutos apenas a olhá-la e ao mesmo tempo, explodia no mundo interno de uma alma, um paraíso, onde antes eu nunca tinha visitado, mas vi e senti o quanto era colossal permanecer na naquela forma de arrebatamento, admirando e descansando naquele belo jardim. “Como é linda...” Que frases as usariam para qualificar uma forma de anjo que antes eu desconhecia? Como poderia meus olhos diante de um ser supremo, fresco aos meus olhos e doce na minha saliva, emiti sons que pudesse despertar-me daquela visão profunda e suave...? Como poderia eu exaltá-la em cânticos harmoniosos a sua beleza e toda a sua essência que o vento roubava de mim, pois naquele momento incidiu sobre mim o espírito do não entendimento e fez com que os lábios não proferissem sábias palavras de alento e profunda exaltação a face que iluminava e transporta o meu admirar a uma súplica silenciosa e atônica da sua dormência...! Como poderia eu arrancar de mim o meu coração e dispô-lo diante dos seus olhos para que ela visse o brilho que emanava das suas palpitações naquele momento não terrenas e sim, de uma galáxia desconhecida do sabor da minha língua...! Mas, diante do reflexo que brotava do seu corpo em mim pude tocá-la e senti nas pontas dos dedos uma sensação intuitiva que percorreu todo o meu corpo, causando assim também na ponta da minha língua um leve ardor, no qual passei sobre os meus lábios o seu sabor e pude sim, por um leve momento, ascender em forma de anjo celestial um vôo alarmante, onde as minhas asas, batendo abruptamente, convidava-me a penetrar através das emoções o glacial mundo que naquele momento começara a despontar dentro do meu ser e diante dos meus olhos...

Puxa, foi tanto ali parada a minha delícia.

Naveguei eu e Ulisses em sonhos e fantasias...

Que belo rosto angelical moça menina...

Mulher que me encantou a minha sina!

Cada olhar teu...! Cada gesto me domina!

E sobre mim teu encanto predomina...

Céus...! Como eu a amo e o coração em chamas:

Chama pelo o teu nome...! Quanta inconstância!

Amar-te e ser privado de pronunciar o teu nome!

Mas sei que pelo menos na realidade ainda vive,

E para a minha vida não é um sonho tão vazio,

Estar nas formas e nas estrelinhas dos meus risos!

Veio até a mim a bela constelação do ardor que pulsava naqueles olhares extasiados. A bela estrela recém-nascida lá no firmamento tinha sobre as suas madeixas um belo arco que ao longe denotam aos meus olhos uma nuvem de algodão, cravejadas de diamantes e safiras, onde através de uma pequena blusa que encobria o seu corpo, pude perceber uma pequena estampa, com um desenho de um campo; onde uma menina recolhia na sua doce ingenuidade os perfumes. Olhei por diversas vezes e levemente, eis que criei uma forma renovada de permanecer com aquela estrela sem ter medo de ser censurado! Imaginei-me ao lado daquela menina que colhias as suas flores e de repente, meus lábios queriam sussurrar, abrir o íntimo do meu ser, colocar diante dela a beleza que explodia naquele momento. Eu queria solRac, amá-la de uma forma nunca vista e nem sentida!Queria meu amigo, mostrar a imagem do meu espírito, transcendendo em todas as suas formas as mais singelas e glaciais belezas que humano não sentiu e nem as expressões daqueles que falam conseguira falar...! Eu queria exaltar a sensação que pulsava e que, prostrado diante de mim, sentia frio e necessidade de se agasalhar. Eu contemplei pela a visão eloqüente do espelho da minha mente a tenra felicidade que permanecia evoluindo dentro da minha alma! E, por um impulso do meu respirar, eu pude sim solrac, naquele momento, presenciar em todo o meu corpo o tamanho do paraíso que corria no meu íntimo. Eu só queria extasiar ali, naquele momento, as ondas imensas do mar que, envolto no meu ser, sacudia a minha alma, é como se quisesse dizer: “- vem viver...” Ah...! Eu chorei e as minhas lágrimas se confederam com os risos internos, isso porque as lágrimas refletiram muito bem o tamanho amor imenso que sobre me se alojou e os risos eram como falassem que aquela estrela já tinha um céu por sua sustentação e um jardim como paraíso...!

Eis que me apego à luz de um candeeiro:

Não tem a luz que tanto emitia a estrela,

E sem rumo sigo a cadência em desespero,

Meu Deus...! Ela foi o meu amor primeiro!

Passo a fio a procurar com meu candeeiro,

Uma réstia no chão do seu suave cheiro...

Os acordes da canção todos eles se perderam,

Em mim só há procura e tantos devaneios...

Já não mais pulsa no meu triste seio,

O sonho que eu tanto ousei buscar primeiro!

quinta-feira, 24 de junho de 2010

SONETOS


JOSEPH

Fui fazer uma faxina no meu sótão e dentro de uma

caixa reencontrei caro Joseph os rabiscos de algumas linhas poéticas que escrevera naquele último dia quando veio tomar o meu vinho e trazer notícias de Petrus. A verdade, li e lambisquei ao lado os graves sinais da tua loucura, ficando muito impressionado e com o coração envolto no medo; porque caro Joseph, jamais poderia pensar que em ti assistisse algo que meteste medo ao meu espírito e aos meus olhares de sagacidade benevolente que tenho pela a vida! Sobre os teus sonetos, é verdade que, quando os li, estava eu sã e em minha consciência e depois fui tomar aquele café, como sabes o tamanho desfavorecimento que tem à minha língua pelas as bebidas que faz insinuações a mente criativa, onde se travam lutas reconditamente os sonhos e fantasias, e, pelos os quais, assim tu também bem o sabe como eu quero esquecer e não deixar crescer a erva daninha que me elevou a um estágio de loucura suprema; onde meus olhos só viam aquela imagem, com o seu ardor e o viço dos seus desejos a mostra nos lábios que sempre exercia profundos e profanos ardores na minha imaginação eloqüente da inocente ardência que, amedrontada, se refugiava apenas ao lado contrário do espelho, para não ser visto e também não ser censurado. Ah... Sobre aquele fato que expus quanto a Petrus, parece-me que ele continua a bancar os caprichos da sua eterna paixão. Espero que o dinheiro que ele recebeu como herança possa dar para todo este ano, só assim ele terá mais alguns dias de encanto e amor com aquela mulher. Prepara o teu colo e dinheiro também...!


. SONETOS



Vagueia o torpe, o fantasma nauseabundo...!

Em visões que enlouquece o tácito nume,

Com foice em suas mãos procura o lume,

O fogo impulsivo do agouro do vagabundo...!



Cutelo nas mãos – ai de ti! – Ó desgraçado...!

Sacrílega alma enfurecida do velho cocito,

Ostenta fúrias no teu peito e o teu espírito,

Procura na taça o loquaz veneno açucarado...!



Pasma em furações de afrontas: afins pecados,

Nas sórdidas chamas das tuas etéreas dores,

Na masmorra Lívia onde voam teus vis fados...!



Desentoam dos lábios os cânticos misteriosos,

Sons tiranos de gentis desafinados clamores,

Na caverna adestra fúrias dos deuses irosos!




Assentado no meu velho sólio e fico a fumar,

O meu charuto vaporoso de doces ares;

Onde ela derramou gentis frios amores,

No zéfiro cândido do aroma do meu olhar!



Vociferando o vento a voz d’ outro amante,

Adestra em seu peito a fúria do seu amar:

- Ó amigo por que o fogo do meu adorar,

Ativa no sofrido peito a chama pavorante?



Ó perniciosa...! Ó cruel e tão vil deidade!

Amando como só eu amo neste mundo...

Ficarei chorando no cárcere da piedade!



Não chore, apenas ame o cachimbo abrupto,

O amor é tão vulgar e também vagabundo...

Não se compara à fumaça do meu charuto!




As fúrias pelejam com um vate moribundo,

Nas trevas os faróis do mal cortam os ares,

As foices de uma solidão emitem clamores,

Aqui e neste instante acabar-se-á o mundo!



As aves agoureiras chulas falsas vis frases,

Os Sapos cantam bêbados na vadiagem,

O zéfiro possui aligeiro a pura virgem,

As chagas em suspiros invadem os lares!



Começa aqui a belona férreas dos amores!

Os gritos diletantes das almas imundas!

Nos cerúleos ares voam desejadas dores!



E, forjando o coração a boa guerra estorva,

Em plena luz ígnea do atônico néscio dia,

O amanhã chegará com tédio da vida nova!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Petrus


Caro amigo Petrus...! Lembro-me aquela última noite que pernoitou na minha casa onde passamos quase toda a noite tecendo comentário emaranhado a respeito da imensa dor que tresloucava o teu seio, fazendo assim que os teus sorrisos radiantes de outrora, não mais se fundissem com a alegria do teu coração que sempre acendiam nos teus olhos a radiante estrela suprema e inocente quando a mim se dirigia e contava a tua elegante vida sentimental. Tive conhecimento pelo Joseph que hoje me visita, que o teu estado está lastimável e que andas como um perfeito eremita desvelado. Espero que toda aquela concepção genuína que em ti nunca aflorou esteja agora mais atenta e concreta sobre os preceitos absurdos e inconstantes da vida que pulsa contraria no interior humano. Mandarei pelo Joseph os dois sonetos que me pedistes e espero que o mais breve possível estejamos juntos e aqui na minha casa está ainda a tua espera aquele vinho doce, nunca esqueço quando bebestes e quando abriu os teus lábios, balbuciando de forma bem definida: ”- Doce é o vinho que tomo agora assim como é doce o amor daquela mulher na minha vida...! O vinho está pela metade, isso porque guardei especialmente para ti o que sobrou onde tem ainda as marcas dos teus dedos e queira Deus que ele também continue doce...! O vinho, Petrus...! É claro!


Soneto



As lágrimas molham as pálpebras é essência!

Dos aspérrimos olhos que desejam o fogo,

Em férreas prisões aos supremos deuses rogo,

Que me roube esta vil e funérea existência...!


No sacro fogo divino o que tanto me oprime!

É a sede sedenta de um amor louco indigno!

Nesta fértil vida ao desditoso é sempre digno!

Pagar pelo o seu ato sem praticar o crime...!


Em tênues laços de prisões de agouro desmaio!

Chorar no cárcere deste amor é meu tributo...!

Aferrolhado nos braços macilento da morte caio!


Este mal vindouro só pertence aos desditosos!

Esta deidade de farpões que tanto oculto...!

São o bálsamo cruel que me queimam os olhos!


Soneto



Já procurei na imensa dimensão do universo

Um ser que pudesse enlaçar os meus versos

Mas, em cada rosto e coração: foram diversos

Os vários rostos de um espírito má e adverso


Jurei que encontraria e mergulhei no engano

O disfarce que encobre a ufana mente humana

Aflito esperei a essência que não mais emana

Da imensa riqueza encoberta do seu oceano


E pasmei quando olhei aquela face enrubescida

Vi um coração sendo consumido pela a chama

A batalha do seu eu matando todos os sonhos


Quantos confrontos habitam matando uma vida

Quanto vendaval ali agrupado ainda se inflama

Cegando a visão nos lânguidos olhares tristonhos...

terça-feira, 22 de junho de 2010

Eu vou para casa!



Quando o sol nascer no horizonte e as flores

Se desabrocharem...

Quando os campos se tornarem límpidos

E ermos...

Quando a alegria transbordar meu coração

De prazer e satisfação...

Quando os pássaros forem soltos e voarem

Livremente...

Eu vou para casa!


Quando o luar se tornar transparente

E ver a minha imagem se refletindo...

Quando as montanhas se tornarem tão lindas

E esplêndidas...

Quando o sentimento nascer no meu

Coração, inspirando-me a viver e se abrir como uma

Rosa exalando o seu odor...

Quando os homens se tornarem mais civilizados

Esquecendo o ódio e o rancor...

Eu vou para casa!


Quando ouvir o canto suave dos pássaros como

Uma valsa a bailar no tempo...

Quando a primavera chegar me ensinando a

Amar e a perdoar...

Quando a noite se tornar fascinante para

Aqueles que odeiam...

Quando a terra que pisamos for gentil e ondulada

De flores de esperança...

Quando as estrela brilharem não só para uns

E sim para todos...

Eu vou para casa!



Quando as lágrimas forem verdadeiras

Tão puras e meigas...

Quando o pranto fizer dos corações um novo

Ser que renasceu...

Quando o homem procurar no seu pensamento o

Pecado que cometeu e se ajoelhar pedindo perdão...

Eu vou para casa!


Quando as almas se encontrarem todas unidas

E amigas...

Quando a mãe entender o seu filho e disser face

A face: - “meu filho”

Quando o filho suavemente ouvindo a sua mãe

E repetir: -“minha mãe”

Quando o coração não alimentar mais ódio e se

Tornar claro como o azul do céu...

Eu vou para casa!



Quando não houver mais racismo e as pessoas

Aprenderem a amar uns aos outro...

Quando o sorriso se tornar radiante e tão

Extremoso o qual a uma criança...

Quando o suspiro for de alegria e não de

Medo e terror...

Quando as armas forem destruídas pelas próprias

Mãos do seu criador...

Quando as pessoas ouvirem esta mensagem e parar

Um pouco para meditar...

Eu vou para casa!


Quando todos cantarem em um só coro:

Todos...! Todos nós vamos para casa!

E, quando as almas ressuscitarem,

Elas irão para a nossa casa...!