quinta-feira, 15 de março de 2012

CARTA EPISTOLÓGICA

Ao jovem poeta lírico
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São iminentes dentro do teu peito as digressões alucinantes e longas das investigações do teu coração, em busca do simbolismo subjetivo, nas imagens do teu consciente, para desenvolver as fantasias inconscientes que se arrastam em ti...
Articulam no teu corpo a síntese priorizada que traça intuição na estrutura do teu olhar, onde as visões criadas são emitidas para a conexão do teu ser, e esse, absoluto no domínio do teu espírito, eis que a epistemologia do símbolo do amor estabelece as bases dos seus pensamentos, onde esses, sem domínios das tuas forças, entregam-se na poética arte da fenomenologia, de conotações reveladoras, de diversas análises, que tece o teu coração, quando, no silêncio, perguntas a causa do amor que em ti subiu, oriundo da tua alma, porque, entregou-se tudo o que estar em ti: carne, alma, espírito e pensamentos, a uma doce paisagem com belos fluídos e que agora, sucumbe-te a ela e não mais consegue disfarçar, a anatomia dos seus atos e suas ações que flutuam na tua pele e se aprofunda nas tuas carnes...
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O relato que a mim foi dirigido pela a tua febre: as inquietações que abalaram os alicerces das estruturas da tua alma; eis que eu aqui estive a estudar silenciosamente os teus sintomas, procurando identificá-los com os seus artificies ingênuos...
Os rituais do teu coração fazem a modelação dos teus olhos se tornarem empenhados, em analisar a obra que se levanta dentro de ti. Introduz no teu ser, a poética do lirismo... Os abalos milíticos de tremores sistêmicos, e nos ciclos dos teus lábios, começa a desenvolver os rituais de complexos, onde nos seus trajetos mitológicos, começa a romper, como sentes agora, a divindade do amor que avança, no conjunto do teu ser, e eis que a introdução do seu gosto escolhe a tua boca para desenvolver o seu épico, a sua grandeza. É o começo, quer seja do seu todo, quer seja, apenas da sua parte...
Depois de reunidos os dados do teu desabafo, analiso agora o trajeto da discursão da tua língua sobre o seu intenso, e agora convivem contigo as ardências, os abalos, os calafrios e os frios nas tuas entranhas.
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O espírito da palavra mergulha nas formas dos teus pensamentos, com o seu vocabulário, traduz o ajuntar de tantas alucinações do teu espírito.
As picadas vertiginosas desenvolvidas e exercitadas pelo o imenso panorama do amor, eis que, com o seu sistema de tendências perfeitas, onde o seu ardor faz prender a coerência do seu método por dentro de ti, deixa-te exposto a sorver dele a imaginação que faz pulsar teus olhos, tremer teu corpo e abalar o teu coração.
O autor detonador desta tua metamorfose, o amor, nas citações privilegiadas dos teus próprios lábios, pois, o que me parece é que sempre passa a tua língua nos lábios para melhor sentir seu gosto. Começa a erguer em ti o seu repertório, as sequencias dos seus conceitos e os fundamentos lógicos da sua existência... Ele procura alcançar em ti imensas concordâncias da sua delícia, do seu sabor e êxtase. Em imensos saltos o seu profundo toca, toma o teu coração e nele infiltra os seus processos, visando a sua própria interpretação: se é bom ou ruim o seu fluir...
O seu abortamento no teu coração causa uma odisseia impactante. Intensificam os volumes dos lábios e a sua sensação de passagem pelo o teu íntimo, cria uma vertigem convidativa, colocando-te nas deslocações do teu eu que se entrega nas viagens das reflexões e razões, em querer beber o seu maior ardor: o mel...
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Pergunta-me:
“A minha lucidez, quer seja diurna, ou noturna, não é mais dinâmica, concebendo nela, os dominantes símbolos de angústias, tristezas e solidão.”
Eu te respondo:
Os elevados sentidos se aplicam agora no teu imaginário, porque esse é o meio existente de interpretação da tua linguagem. Estás preso no digestivo cíclico do habitat do amor, onde os teus alimentos são agora dramas, com a sua técnica errante e que te faz chorar. Os teus gestos são inconscientes e a dinâmica das tuas inquietações, promovem dentro de ti as suas manifestações, onde toda a reação pressupõe-se uma ação, no caso teu... O choro!
Não existem argumentos, quando a função reproduzidora, neste caso, o amor, aloja-se no peito, não sendo convertido pelo o enlace permissionário do outro a quem se ama, eis que as vertentes infinitas dos círculos mitológicos dos monumentos ocultos, levantam-se e fazem a sua orquestra de impulsos não correspondidos, gerando uma fantasia recalcada, sem a abordagem dos seus elementos dinâmicos por entre o coração. As portas do teu espírito que ama permanecem abertas, entretanto, recebem os fluxos, mas os influxos das suas batidas no seio, não sobem as narinas e afoga a tua alma que sempre estar no anseio de receber o seu balançar que não vem.
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O realismo sensorial vem sempre do teu imaginário e o método da tua entrega, paira somente no universo dos sonhos, e nesses, a vivacidade é tão grande, que as suas generalizações, implicam na desintegração da carne que grita e sorve, por insistência, o perfume recolhido do modelo artístico do qual sonhas.
Há um fantasma dominante que atravessa os sons da tua boca que não fala, para dar ânimo, entretanto, é mais uma fantasia de esperança que o próprio coração atira dentro de ti.
Os conflitos encandeiam e revelam o dilema de quem ama sem a devida correspondência dos olhares femininos. E parece-me que o feitiço do vinho, enlouquece as ervas e os perfumes que percebem o espelho da tua pele, e aclamam pelo o seu andar de ardores. Ouvem-se línguas de candelabros inflamosos que sempre chamam: "vem amar..." Entretanto, acho que é o teu caso, deves amar e não esperar ser amado...
Teu coração já não mais suporta os ambientes adversos, ou seja, não pode vê um beijo na boca, uma carícia na face, por que a tua pele evolui a cada toque que percebes teus olhos, e nas rachaduras vulcânicas da temperatura do teu corpo, já são aplausíveis os santuários de estrelas que dançam diante dos teus olhos e não permitem que sejam tocadas pelos os teus dedos. Elas te afrontam e te leva a ardência da sua febre cheias de delírios.  
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Veste em ti o delicioso, com o seu enredo de vozes convidativas... O inquietante desejo da tua paixão é encontrado, e, exposta aos teus olhos nus, ela observa o transitar por dentro de ti das visões eróticas da sua carne... Que te afaga o peito, levando a tua boca os beijos de ânsias, e no mar da sua consolação, eis que matas a ti mesmo, em querer amar a luz do seu aniquilamento...
Tu vives uma luz que não se apaga
O movimento do fogo que é teu calvário
Na sua cruz abrupta és  crucificado
E a sua chama ardente nunca te larga
Já não usufruis dos seus altares sagrados
Dos seus doces elevados montes mais altos
Não mais calças as suas sandálias de pratas
E também não mais visitas os seus santuários
Nos teus olhos já não acendem seus candelabros
A sua porta sempre fechada e nunca se abre
Do seu azeite só bebe quem vive nos seus palácios
E o seu espetáculo maior em ti não mais arde
E por mais que lutes, como usar a arma?
Invadir o seu reino, dilacerar a sua casa?
É dentro de ti que ele faz a sua morada...

E essa força invisível te arrasa, te mata.
Não alcanças os seus louros e sempre falta
Como os seus frutos são tão altos
Na tua língua nenhuma gota da sua água
E ainda queres tu subir…Subir e nele voar alto?
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Cuida-te, por que a flor é portadora de mistérios… Latentes vulcões vivos... Feitiços púrpuros... Pérolas que revelam o seu Narciso... Tâmaras com gosto de maçãs: o símbolo da discórdia... Portanto, se morderes uma tâmara e nela existir o gosto de mação, cuspa fora, porque, certamente, irás recolher todas para a tua necessidade. Afinal, são nas maçãs que os bichos são mais doces... E provocantes....
Devemos nos entregar a quem nos consola, no teu caso, a métrica, e eu, ao vinho...Devolvas-me depois os sinais que foram enviados a ti, porque, olhando a minha pele, sinto os mesmos enigmas... Os mesmo sintomas, possivelmente, entre eu e você... Você escreves e sentes as dores, e eu, bebo e rio do teu mal. Quem sabe, podemos consolar um ao outro, olhando o fluir nas nossas peles do trânsito progressivo dos ardores a suspirar pela a vida... E se por acaso, encontrares um outro bichinho na tua maçã, por favor! Envias-me, porque eu perdi os meus dois au au e estou só a olhar as suas casinhas solitárias. E quanto ao bicho da maçã, mordendo-o de novo, feche os teus olhos porque o seu gosto está na sua visão. Afinal, bicho ornado, cabelo preso, batom nos lábios e perfumado são danadinhos de convidativos para a nossa boca. Atenta-te!
 
  Carlos Alberto
    albertoesolrac
  silêncioelágrimas

Acredite quem quiser: sofro pelos os dois meus au au que foram doados. E a ração foi também com eles...

segunda-feira, 12 de março de 2012

TRANSPOSIÇÃO: CORPOS

                                  CORPOS
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O império que se origina na mente. Que tem o poder da fruição da linguagem dos desejos... A vulnerabilidade de um olhar que se levanta, para explorar o campo semântico, onde, primeiro: a visão ilustrativa, segundo: eis que se levanta a etimologia dos sentidos, é quando o fascínio do corpo desenvolve a hipérbole na língua, e essa, mede o aparecimento na mente humana da criatividade, cheias de fermentações, não se escota, por que a visível representação que se morda, conforme o mar de visões que sobe ao coração; impulsos violentos, e as suas substâncias absorventes, importunam as crescentes palpitações, que sentem os rastros penetrantes dos desejos que pernoitam, fazendo a sua ardência e cravando os seus sinais eloquentes. A voz enternece, arrepia e a vontade se inicia...
Ah! Coração que almeja os suspiros que abafam bocas! Faz voar no céu o retrato do meu rosto de ébano, cheios de estrelas! Por que a flecha voa e na sua lei, recolhem as delícias dos olhos, torturados, fechados, abertos... Semicerra a tua boca, por que o sútil instrumento, a língua, tem asas do onipresente, e os astros que se movimentam, a sua porta, quando retocam as grandezas dos movimentos íntimos, causam explosões, e as pétalas se abrem, e as mãos se movem e alcançam o seu pólen… Eu sou o teu jardineiro e vim aqui da flor cuidar. 
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Oh! Estelífero mundo fulminante, reluzente, onde se assanham as fúrias das mãos que avistam o áureo corcel dourado! É à força do mar, do sol que desce da lua, e que se tonteia cheia  de estrelas! Oferece a tua carruagem e permita-me que nela tome o meu assento, e entre zéfiros, ósculos floridos e ardentes, eu possa plainar nas tuas folhas, onde suspira o beija-flor e as flautas cadentes dos nossos olhares... Que querem falar aquilo que o coração sente.
Oh! Flor de lábios tentadores! Exalas o teu hálito, por que ele é o meu paraíso. Desenrolam as flores dos teus risos... O relento do teu jardim espera o seu jardineiro e hoje vim cedo para ver o teu botão se abrir, entre as pétalas da tua face... Oh, Minha flor! Receba meus cânticos de amor...
“Então canta para que o meu desabrochar seja mais delirante e as minhas pétalas não caiam mais de mim”. – pediu a flor.
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Ah! Anseias-me teu perfume quando emanas.
Das flores diversas do teu olhar.
É a brisa que se espalha na pele santa.
O coração canta: “deixa-me te amar! Eu posso te amar?”
Pressinto ainda recente teu perfume nas narinas.
São toques das tuas unhas a me roçar.
Sinto de volta a essência a me tocar.
São doces que se abrem em suaves  nectarinas.
 Refugio no interior do fogo que faz incendiar.
Tuas feições na  mente é minha sensibilidade particular.
Oh! Não quero e nem desejo outra no teu lugar!
Tua voz celeste é à flor dos meus suspiros.
É o perfume que deseja tanto o meu escutar.
Se não permites que morra eu por ti, então me deixe esse amor exalar.
Ah! As pétalas é a simetria da tua face. São as disposições despensas do teu oxigênio; onde a luz sensível faz a moagem dos óleos, dos azeites, produzindo o sabão cheio de pigmentações, para a composição do teu cheiro e do teu lubrificante na pele. 
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Oh! Tuas pétalas e sépalas são tão idênticas, e me ladeiam, nos jardins gozados pelos os meus pensamentos, celebradas pelos as flores dos vales de admiração dos meus olhos. Respeitosa razão da luz cintilante, que entroniza o éter do céu de atenção... Que cativas os meus olhos. Que belo luminar de giros mirabolantes se faz nas texturas das tuas virtudes, e no portentoso abrandar do teu néctar, quando escore nos fulgores das tuas pétalas, o doce solúvel do abrir dos teus olhos. É brilhante o ferro em brasa do topázio, que fulgura no sagrado e justo pendor dos arcos que te cerca.
Parabéns! – assim falo...
Parabéns, ó asas que brincam nas variações e vibrações do fulgor do teu doce! Pelos os talos suaves que alegram os montes de saudades que se elevam, e a ti atiram suas fragrâncias que se acendem, antes de chegar até a ti, iluminando assim, a mais perfeita dos paraísos! Que gozo! As estrelas das núpcias te saúdam e meigamente, abre-te os braços, leva-te ao camarim e relata o ápice brilhante do teu doce. Abalas-me e transporta o meu apalpo a comoção eloquente do amor que tremem os olhos e comove o espírito que se derrete... Eu sou o teu jardineiro e posso te tocar.
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Ouves o meu assobio... É a sentença de beleza que te entroniza nas assembleias dos meus aplausos... Olha a alteração no céu da minha face... Eu te comparo aos altos templos estupendos com suas belas rainhas... Oh! Serápis!
Meu coração é prole das bênçãos da tua alma e da progênie do teu espírito. Oh! Símbolo nítido do fruto da graça do amor! Obedeço às obras da tua lei...  E a obediência servil da minha fé, é exaltar a pureza dos teus cristais... A leveza dos teus giros na minha alma. Oh! Excelsos utensílios guardados, são os sábios ardores de reverência do teu coração, e o meu tributo, são os ais brilhantes de ares líricos que sobem como balões, cheios de gases de vida! Ofertas dos manjares dos meus lábios, que conduz neles, o anjo do incenso... É o renascimento do céu que proclamas o seu novo raiar cheio de mimos nos seus olhares. Em mim o teu domínio é acentuado e o mar me afoga em tua busca. Eu sou o teu jardineiro e posso te banhar. 
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As minhas mãos recebem a tua alma, e nos seus olhos, palpita o meu beijo, incitando as vertigens dos meus gritos espessos, persecutórios e que inelutavelmente, despedaça o seio meu que te agita; oscilando entre sinais e sintomas palpitantes, onde os sentidos vibram, e as sensações das temporalidades, encaminham-se para o exílio loquaz do prazer, onde o improviso carece apenas dos diálogos linguísticos, que são murmurados timidamentes, sussurrados, apenas pelos os olhares das línguas... Os olhos fechados saboreiam, enquanto as bocas abordam as múltiplas formas alarmantes de ais e sorrisos, definidos pelo o gosto expansivo do corpo.
Ah! A grande síntese é promover a queda do batom dos teus  lábios e compreender os sons prolongados da lesividade do elástico da tua pele... Que se contorce, que se rompe, para receber os princípios dos abalos. Oh! Que sujeito determinante! Privilegiado pelo o universo das medidas que enfatizam o cobrir do corpo, como um lindo vestido, ornamentado de polaridades atrativas aos olhos! Pérolas subjetivadas pelas as visões dos espetáculos dos prazeres, onde se mergulha nas suas alegrias... Agarra o doce do seu aceno e as alterações das batidas do seu coração; fazendo bater a fábrica das suas sensações, e determinando, o delírio da malícia do sargaço infantil, quando vem chegando o orgasmo!
Teu corpo é o meu alimento! É sincopado de doces agasalhos para a minha pele... É interpretante e nele vejo a minha transfiguração em fogo ardente e suave. Eu sou o teu jardineiro e posso as tuas lindas pétalas balançar. 
 
   Carlos Alberto
    albertoesolrac
    silêncioelágrimas  

sexta-feira, 9 de março de 2012

FOGO E SONHOS

Subjugado sou... Sempre serei por ti, ó fogo! 
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O fogo que sobe decisivo nos domínios dos sentidos.
Lembranças vivas que abrasam e não se explicam.
A luz contida... Latente e que na pele se aplica.
Desejos colossais que no seio escondidos...
Olha-me e roça com o seu batom mexido.
Pela a língua que se move no seu quente ardor de vida...
   Eu procurei as minhas convicções, e elas vieram nos componentes inconscientes, que pleiteavam nos seus devaneios. Evidencie-os quando me dirigi aos instintos, que intermediavam os meus pensamentos, em uma zona bem profunda. Fui manipulado e me aperfeiçoei ao seu nível com tendência rítmica, por que foi o meu coração que impeliu a evolução dos meus olhares, onde esses, queimados pelo o fogo, fez-me abrasar a doçura do ultra vivo fogo ardente, privilegiado com doces, e ele me levou a brincar com as suas brasas incandescentes, onde a sua explicação, ao meu coração, era simplesmente, o seu airoso amor e seus efeitos significativos.
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 O fogo balsâmico com a sua umidade eloquente, penetrante, cortante, mas necessário à nutrição da mente e a purificação harmonizados dos sentidos insinuantes, e cheios de desejos profundos.
E, quando vi o fogo, eis que me peguei a andar por lugares de estruturas desconhecidas, mas tão radiantes, que o seu império, seus tesouros, seus doces se esconderam dentro de mim, e, percebi que eu queria subir aos seus pícaros colossais... Soltar meus gritos na sua luz e ver-me andar nas suas fagulhas, com os pés descalços, para sentir se realmente, ele, o fogo, queimava...
      E queimou! Queimou por que eu fui ao seu braseiro, tonteado como uma mariposa pela a sua luz, expus o meu coração ardente, o explícito ao seu Vesúvio. Secaram-me os lábios e ele colocou o seu perfume ardente na minha boca, foi onde, adormecido, pude perceber a sua chama que consumia meu ser... Incendiando os meus lábios. 
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O sagrado da sua realidade eloquente, do seu conceito, das possiblidades e distinção do SIMBOLISMO do efeito do fogo nos olhares, tecendo na imaginação, a acessível verdade da sua atividade, de uma instância que percorre o signo sensível da energia de um espírito, que se agracia e nele é atribuída a função deslizante do seu voo: o fogo feito amor e sonhos...
“ – Queres ser o senhor da minha lareira e saber como me dirigir entre sonhos e fantasias ardentes... – Perguntou o fogo a me olhar e sorrir...
Como? – indaguei... Como fazer depois o teu controle? Por que acendido uma vez no coração, terei uma voz colérica, e o fenômeno do teu complexo, incendiará mais os confusos e ingênuos abrir dos meus sentimentos. Devo tocar-te e te soprar, pondo-te na espiritualização da minha voz?
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Oh! Não percebes que eu ainda sou uma criança e, tomando-te por inteiro na minha pele, ela chamará o calor da tua luz... O perigo de um grande incêndio dentro de mim se levantará e sem controle, as minhas inibições correrão nas chamas engenhosas do teu arder... Oh! Sentas-me e proponhas as tuas ações; por que as tuas lendas provocam o acender da tua lareira em mim......Devo experimentar o fundo da tua combustão? O teu caracol no meu coração estar fechado... Não devo abrir o seu incendiário dos teus devaneios, experimentar os teus instintos. E se tu, se agregar por definitivo no meu íntimo, e depois, retirar-te, deixando apenas os teus reflexos, o que farei? O sempiterno da tua intervenção virá por acaso, na minha realidade, e aliviará o teu poder, que ficará nos lugares mais inóspitos e sensíveis do meu ser?
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Examina em mim a estrutura, por que as dificuldades do teu acender em mim será acesa e nunca mais... Oh! Nunca mais! As evidências do teu gosto sairão da minha boca! Não percebes que choro quando eu te olho! Não percebes que a minha pele treme e o teu som paira nos meus lábios! Convidas-me a te sentir, e depois... Ficarás tu para sempre no inconsciente da minha alma e nas delícias dos beijos! Lanças-me os teus domínios e faz as tuas oscilações agregantes e cheias de ritmos... Oh! Não! A tua lareira provocará a ruptura do meu abrigo, e eu para sempre, estarei contigo, na dependência do teu espírito, que converge com sinais as marcas acessas no corpo.
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Poderei te aquecer e fazer por instantes, vibrar os acordes da minha música nos teus olhos...” disse o fogo ardente e convidativo.
Oh! Aquieta-te, ó fogo! Não projetes o teu andar por que repelente sou! Não colho a festa do teu prazer e as flores delicadas do teu véu são mortais flagelos que queres me entontecer... Violar os estiletes celestiais, brilhantes, verdejantes dos meus alegres suspiros, que ofereço a minha alma, como louvor de um concerto sem dor? O Teu céu engalanado, petulante, oferece-me as tuas primaveras, e nelas, os teus dentes que mordem as alegorias do teu próprio disfarce? Voltas os teus olhares subjetivos para a percepção do meu coração, que, fitando-te, deseja o teu recurso acionador dos teus abalos... Queres fixar os teus temas nos meus olhos e depois, abordá-os, olhando a minha alma com a tua subjetividade?
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Oh! Chamas-me e propõe que eu me sirva do teu banquete e me balanças nos teus braços de aconchegos, depois ergue a tua taça e me convidas a um brinde a tua memoria...
Terei que convocar os teus salões de núpcias... Flautas das tuas pupilas adormecidas para te despertar?
Teus olhos estão cheios de lágrimas e nos teus lábios, repousam milhões de amores entronizados nas infidelidades das almas?
Queres que eu receba os fluxos da tua tendência e os excessos dos teus movimentos por dentro de mim? Ah! Queres descer à minha matéria e receber as minhas lágrimas como torturas por sonhar com o teu paraíso?
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 Não quero o teu xarope balsâmico nem lamber os restos que ficam na tua colher, por que o teu mel, no principio, desce doce e suave e depois... Depois! Acumulas os teus cavacos e punhados de azeites inflamáveis e acende no coração a tua fogueira, apoderando da espessa fumaça que entra nos olhos, e os transforma em tições de lágrimas flamejantes, que descambam em velocidades translativas, efluentes dos teus talentos ambiciosos, aproveitando as correntes das narinas enamoradas, eis que se alocam e lança a tua substância atrativa, e nos seus efeitos, os meus vestígios líricos serão derrubados do meu espírito, que cairá inconsciente pela a dependência do teu ardor...
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Oh! Temo-te, por que correm pelos os campos harmônicos dos meus sonhos, as tuas viçosas labaredas, fazendo despertar o aguçar ingênuo de um coração que quer te provar... Isentas-me da tua experimentação; pois as tuas fórmulas são para mim agora diferentes, e os meus devaneios não mais se desenrolam no teu círculo, e sim, apenas na fantasia do teu conhecimento e nos complexos da tua clássica análise de apenas olhar, tremer e querer viver-te em ilusões profundas dos teus atos...
Voltei e tudo foi um fracasso!
Tentei lutar, mas destruído.
Voltei com o coração doído.
Tudo foi obra do teu acaso!
Agora só me resta alto gritar.
Chorar nesta tua vida covarde.
Gritar no teu vale que arde…
Ensinar o coração não mais amar.
Oh! Não mais seguirei avante!
Cansei-me, pois o coração a delirar...
Só quer morrer neste instante.
Ficarei mórbido neste meu lugar!
Quem sabe quando a lua mudar…
Poderei ainda cantar o seu canto!
 
   Carlos Alberto 
    albertoesolrac
   silêncioelágrimas

domingo, 4 de março de 2012

POEMAS AVULSOS

ESCAPISMO
 Eu estou de mudança
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Cada vez que sorvo o ar angelical do abrir do dia, eis que deixo entrever nos meus lábios, a luz do nascer do meu novo espírito... Com o seu expressivo céu azul... Tingindo pelas as maravilhas dos perfumes delicados que se expandem pelas as minhas narinas. Inexcedível doçura é o nascimento das afeições dos meus olhares e o meu escapismo é olhar a flor de atitudes inusitadas, que abrem e fecham suas pétalas, como se me convidasse: “Ouças-me e faça subir o meu cheiro em ti...”

Estou de mudança para o trânsito de um espírito
mais denso em
suavidade. A canção  sempre me acompanhará,

porque ela me lembra 

quando o humano me
chamava e eu sempre me escondia e chorava. As

reflexões serão postas em um novo

período da minha
existência. Eis que mudo e uma nova aurora

despontará! Quem sabe,
mais perto dos amigos, eles não me convidarão a

beber do seu vinho e falar mal das suas mulheres!
Enquanto isso, arrumo aqui o desmantelado

coração solitário. Eia! Que
sejam fecundos os zéfiros da nova cidade! E

quanto a ti, ó doce
Brazlândia! Quantas vezes me vistes chorar!

Quantas vezes recolhestes
as minhas lágrimas! Ah! Sempre te amarei, ó

cidade do meu
crescimento! Simplesmente, Adeus! Mas sempre te

visitarei quando
surgir às primeiras gotículas de lágrimas na minha

face... Afinal... É no
teu solo que dorme o meu maior tesouro... A

pérola da minha vida que
foi extorquida abruptamente e com ela também

repousa uma parte de mim!

Ó mãe Selma!As nódoas de lágrimas nunca se

extinguirão,

porque... Elas têm o teu doce e cheiro.

MORREU COM ELA 
Morreu com ela a esperança da minha vida
O gênio do poeta. A lírica aérea.
Oh! Deus! Deixai desfolhar da poesia,
A meiguice dos olhos pálidos divino dela!
Ardente sabor eu vejo a graça nela
Nos meus tortuosos dias sempre a vejo
Bem perto, encostado ao seio dela
Um príncipe da cor do sórdido pejo!
Morrem comigo as cores dos sonhos belos.
Amanhã... Amanhã ao som da lira fúnebre!
Virão aos meus dilatados olhos cegos,
O prazer de sentir os momentos eternos…
A dor! A dor me consola! É remédio?
As lembranças doloridas dos olhos dela?
Amanhã... Amanhã para o meu grande tédio,
Virá com ele, juntos! Oh, Deus! É ela! É ela!
Choro nesta vida e no fadário singelo
Meu dolorido coração já não vê o belo
Por que seu perfume ele roubou dela
Agora sussurra sempre e vive a sonhar com ela.
                  
DEIXE-O IR
Deixe-o ir para o Spleen do cemitério
Deixe-o fumar seus charutos e beber o seu vinho
Não negue ao poeta o seu maior adultério
Deixe-o que siga só no tortuoso caminho…
Deixei-o ir à masmorra dos que estão mortos
Não lhe negue o beijo e seu doce desgosto
Mostrai os sulcos do seu rosto torto
Deixei-o seguir avante, deixe-o de coma!
Mostrai onde ele deverá repousar o seu corpo
Levai-o ao cemitério mais próximo
Dê-lhe do liquido que bebeu a divina morte
Levai o seu cadáver para a terra que chora
Deixo-o partir, pois a alvorada o adora...
Ensinai o caminho para seu coração que se apavora
Deixai-o junto dos que sorrindo dormem…
Nas catacumbas que os orvalhos molham
Fechai a tumba! Oh! Adeus triste poeta!
Ninguém denotará porque tanto chora!
Adeus, ó cantador! Eis que se abre a porta,
Do fogo do amor que no teu seio aporta!
Abriu...Saiu...Ó poeta não vais embora! 
                    
É ELA A FLOR
É ela! – sussurrei ao vento. É ela a flor!
A doce pétala meiga da rosa perdida
É ela! – A cândida estrela da minha vida 
A que vai fazer o meu coração bater por amor 
Que bela virgem! Que filha doce da Santa Maria! 
A que trará alegrias ao coração aflito
Não mais chorarei as margens do Cocito
É ela o aligeiro sonho que estava perdido!
Oh! Acordo é apenas um sonho meu entristecido 
Seu rosto doce, suado, quis Deus
Que fosse um simples adeus
Vivo privado do fogo ardente do meu peito!
Meus olhos refletem os teus! 

                     
 PRESSÁGIOS LÍRICOS

A ave chulas frases…
Pousou na minha cama a
ave afeia infernal.
Tinha olhos grandes. Fitava meu rosto mortal.
- Sois de Põe? – Perguntei – É irmã do nunca mais? Vens dos tempos passados? Dos ancestrais? O que fazes aqui? - Ela sussurrou sorrindo:
- “Creias em mim, ó mortal! Creias no imenso!”
- Oh! Não entendi... - retruquei – O que queres dizer com o imenso? E a ave cega de odeio me fitava. Seu negro corpo em fogo se transformava e assim falou:
- “Venho da divina comédia... Dos sonhos dos que amam o Spleen, e sou o anjo Carionte! Creias em mim, ó mortal! Creias no imenso! O
Imenso daquele que é gente!
E achas que aquilo que sente
são germinações da boa semente!
- Gente! Imenso! – Arquejei – Crer em ti, ó soberba! É pasmar na eloquência! É que na adestra fúria o lúgubre coração canta! Regozijo da pasma e vil angústia que ele derrama! Forjo nos púrpuros dias os clamores, ó minha santa sacrílega, que nos céleres ares o foice corta! Adestra coração! Adestra ufano o farpão da morte! Aligeiro mergulho no Late, ó deusa Vênus sagrada! Malditas hórridas vozes atroavam com falsas chulas frases! O ledo amor mavioso adeja meu sórdido coração! Banhando no ensanguentado rio da amargura! A densa lavra de cumpridas asas afias triste chora! Logrando dulcíssimos suspiros nas boninas flores! No sólio do ínclito o vate sente aeras dores!
Forja coração no peito o amor!
Onde ruflam as asas e estoura o tédio da amargura! As narinas enviam os ares ao coração da formosura!
Mugindo as suas rochas em furações vozes a ave canta!
Quem é ela? Apaixonada! Talvez cópia do infiel letal engano!
A maldita chama afável do jogo do abandono!
É o amor assim? Que no seio acende e apaga a chama?
E da sua Belona, onde do seu pasmar, o coração não cansa!
Adejam os farpões as lágrimas que vertem os néscios! Amores no peito e corações em danos!
E tu ave agoureira em férreas dores me abrasas! Não sou eu o mais perfeito cadáver da tua sepultura? Sou raça! Apedrejas-me antes da minha hora! Mata a cega alma que raivosa lágrimas derramam! Ó sepultura! A mãe que no seu seio o condenado réprobo repousa!
Na lousa...
Na nostalgia...
Corta os ciprestes que cobre o túmulo... O  que verás? A volúpia dos lábios que uivam nas trevas pedidos! Acorda coração e respira o ar de dor e da vida! Acorda, suspira e chora!
Nas solidões...
Das concepções...
E tu, ó ave amarelada com o ouro profano! Cucurbitácea de golfões de sórdidas frases!
Cobras-me!
Pois o teu quinhão são minhas lágrimas!
Ave agoureira!
Tua fronteira não sou eu!
São os que se perdem...
No êxtase do prazer...
A carne voluptuosa...
Não conheço o seu ardor... Apenas sonho com ela, pois sou humano!
E sou eu que apascento o meu desejo no seu curral de cheiro!
E a cordeirinha me olha... Enamora-se...
Atiça-me, chama e chora!
Eu sempre digo: te segura, pois chego agora! 
E lá nunca retorno! E o suor bate na minha boca e fala: " vá lá moço experimentar do meu doce.." 
Uivou a ave irosa:
-“ó mortal! Ó sólio da agonia! Ainda és criatura e não filho do Altíssimo, portanto, tenho em ti poderes! És tufões de gentis dores que na carne voam...Apedreja os cadáveres que nas lousas dormem! Na cadeia asperíssima a tua língua soa! Funestos hálitos de atrozes sons que queimam! A tua iniqua vida e tua perdida entranhas!
Estranha...
De carnes oferecidas...
Sangues unidos pelos os ásperos beijos...
Assim falo:
Oh! Eu pasmo nas febres cingidas pelos os tropéis das paixões... Eu não beijo e os meus lábios são acessos ingênuos...
Embalde grito para aferrolhar mais ainda o meu coração.
    Na solidão...
De lama...
De lavra...
Sou também fúria que o zéfiro sopra.
Sou nódoa..
 Da avareza... 
Vileza...
E tu, ó ave! Quem tu és? A amargura?
O tédio?
Respondeu-me ela?
- “Sou pungente”! O alicerce dos teus tributos escondidos! Dos olhos que te fitam... E te acham o santo!
Santo caído...
Santo profano...
Ó mortal inquieto...
 
Eu rogo!
Creias em mim, ó mortal! Creia no imenso!
Das asas...
     Das noites eloquentes...
             Dos teus pecados...
Creia em mim, mortal, porque, transformado sou, mas nunca deixei de ser gente... O fogo da minha pele é o mesmo que em ti também ascende e acende!
Mortal! Roças-me e me ilumina! Sou oferenda do prazer do teu ser.. Ó mortal crendo em mim subirá com um leve perfume do teu incêndio para o meu céu!

Ah! Ave profana!
Tu me olhas... Rondas-me...Provocas-me...
Levanto-me abro a minha porta e saio.
Vou ouvir a delícia da minha infancia nos acordes que traço.

Ufa! Edu, voltarei para a minha bateria e suas batidas incessantes e eloquentes... Moço, foi lançado o convite... Fechamos os olhos e vamos dormir nas proporções sustendidas dos nossos abalos. Vens comigo?

Carlos Alberto
                             Albertoesolrac
silêncioelágrimas